Manifesto
Maria Adelaide e António José, 13/12/1964. Um amor que dura até hoje e que me viu nascer, no mesmo dia, um ano depois.
Elsa Rebocho
O projecto Diários de Lisboa nasce da nossa convicção de que a imagem é simultaneamente um espelho da memória e um veículo para a construção de momentos partilhados. Mais do que um projecto de fotografia comunitária, assume-se como um laboratório de memória viva, onde a cidade se revela através dos olhares, das histórias e das lembranças de quem a habita, convergindo imagem e palavra numa narrativa colectiva.
Lisboa, cidade de múltiplos olhares, encontra no Diários de Lisboa um espelho afectivo: um espaço onde cada participante, a partir da sua história pessoal, contribui para um diário visual que ultrapassa o registo documental e se afirma como expressão de pertença, identidade e património cultural. O projecto configura-se, assim, como um exercício de democratização da imagem, utilizando a fotografia como ferramenta de escuta activa, de expressão individual e de construção de laços sociais nas freguesias da Misericórdia, de Carnide e de Marvila.
Fundamentado em propostas artísticas participativas, que reúnem seniores de diferentes pontos da cidade e fotógrafos voluntários, o Diários de Lisboa concretiza a co-criação como princípio estruturante: cada sessão é um encontro, uma descoberta e uma construção conjunta de imagens que celebram vivências, memórias e paisagens do quotidiano lisboeta.
Esta proposta alarga a sua ambição para além do olhar individual, tornando visíveis as conexões entre territórios e pessoas, promovendo a inclusão social, o envelhecimento activo e o reforço do sentimento de comunidade. Através das suas várias componentes (exposições públicas, publicações, jornal comunitário, arquivo visual online, baralho pedagógico e, de forma estruturante, o livro de processo que documenta o percurso colectivo), Diários de Lisboa fomenta o diálogo intergeracional e territorial e contribui para a construção de uma memória urbana partilhada.
Este projecto afirma que a cidade – as suas memórias, as suas pessoas, os seus ritmos – não se fixa apenas com objectividade, mas constrói-se com afecto, atenção e partilha. O projecto Diários de Lisboa é, em última instância, um exercício de escuta e de reconhecimento mútuo, que convida a transformar cada olhar em relato e cada relato em imagem, construindo de forma colectiva a memória de Lisboa.
Movimento de Expressão Fotográfica
