Mapa Afetivo | Misericórdia
O que é que este bairro me deu a ver que eu não esperava?
No projecto Diários de Lisboa desafiámos os participantes em cada uma das freguesias a criar um Mapa Afetivo sobre o bairro. Um desafio fotográfico orientado por quatro temáticas distintas.
Tema 1
Ver Antes do Olhar
No miradouro, dominado pela enorme estátua do Adamastor, figura monstruosa imaginada por Camões e descrita em “Os Lusíadas”, símbolo do Cabo das Tormentas, a cidade impõe-se como imagem pronta. Mas antes de olhar e fotografar, há um gesto: parar, posicionar, escolher. Este tema propõe deslocar o foco da paisagem para quem a observa. Interessa menos Lisboa enquanto a ser vista, mais sim o acto de a ver. Fotografar aqui é perguntar: o que estamos realmente a ver quando olhamos para a cidade?
Tema 2
O Tempo que Permanece
No território, Praça Dom Luís, numa homenagem a Dom Luís I, conhecido como O Popular, devido à adoração pelo povo, há ritmos que resistem. Pequenos gestos, rotinas discretas, presenças que não procuram protagonismo. Este tema convoca um olhar demorado, atento ao que persiste. Fotografar o tempo, aqui, não é congelar, é acompanhar. É reconhecer que a cidade também se constrói no que se repete, no que abranda, no que permanece quase invisível.
Tema 3
Entre a Cidade e a Memória
Há lugares, Largo de S. Paulo, onde um chafariz de obelisco, dispondo de 4 bicas, onde se destaca um medalhão com as armas da cidade esculpidas em baixo-relevo e a inscrição: “MARITIMOS”, que identifica a bica, do lado da igreja, como exclusiva para o uso da “gente do mar”, encontramos camadas de uso, de história e de apropriação que se sobrepõem, nem sempre de forma harmoniosa. Este tema propõe observar esses cruzamentos: sinais de transformação, vestígios do que já foi, marcas do que está a mudar. Fotografar entre cidade e memória é trabalhar no intervalo, onde o presente ainda não apagou totalmente o passado, mas também já não lhe pertence.
Tema 4
Pertencer é Ficar?
A ideia de bairro, ainda presente no Largo de Santo Antoninho, constrói-se entre permanência e mudança, entre quem fica e quem passa. Mas o que significa, hoje, pertencer a um lugar? Este tema desafia a questionar essa relação: sinais de identidade, de resistência, de substituição. Fotografar o pertencer a determinado lugar não é procurar respostas óbvias, mas expor dúvidas, perceber se ainda é possível reconhecer um “eu sou daqui” ou um “já não me revejo neste lugar”, ou se essa fronteira já se dissolveu nos tempos actuais.





























































































