CARNIDE

Fotografia, memória e comunidade: um projeto que dá voz aos séniores de Carnide

Gonçalo Ferreira, chefe da Divisão de Intervenção Local da Junta de Freguesia de Carnide

CARNIDE

Fotografia, memória e comunidade: um projeto que dá voz aos séniores de Carnide

Gonçalo Ferreira, chefe da Divisão de Intervenção Local da Junta de Freguesia de Carnide

A fotografia como forma de expressão, de memória e de participação ativa na comunidade está no centro do projeto, Diários de Lisboa, desenvolvido em Carnide com a população sénior, no âmbito dos programas BIP-ZIP.

Para a Junta de Freguesia de Carnide, iniciativas como esta são mais do que atividades culturais: são ferramentas fundamentais de inclusão social, envelhecimento ativo e fortalecimento dos laços comunitários.

Segundo Gonçalo Ferreira, chefe da Divisão de Intervenção Local da Junta de Freguesia de Carnide, o envolvimento da comunidade tem sido sempre uma prioridade. “O que nós pretendemos é envolver as pessoas na participação local”, explica, sublinhando que estes projetos permitem que a cultura deixe de ser algo distante para passar a ser vivida e criada pelos próprios participantes.

Este projeto em particular marca também um regresso simbólico do MEF – associação com uma forte ligação histórica a Carnide – ao território onde nasceu, agora com um novo foco: os séniores.

Pela primeira vez, os cursos de fotografia são direcionados a esta faixa etária, com resultados que têm surpreendido tanto os participantes como os próprios promotores.

“O retorno tem sido fantástico. As pessoas saem fascinadas quando veem as imagens que elas próprias captaram”, refere Gonçalo.

“O retorno tem sido fantástico. As pessoas saem fascinadas quando veem as imagens que elas próprias captaram”

Mais do que aprender técnicas, os participantes são convidados a olhar para o território a partir do seu próprio ponto de vista. As fotografias revelam uma leitura única da freguesia, marcada pelas vivências, memórias e transformações acumuladas ao longo dos anos. “A visão que eles têm do espaço é completamente diferente da minha, e isso é incrível”, destaca.

A Junta de Freguesia aposta fortemente na divulgação dos resultados, através de exposições, publicações comunitárias e canais de comunicação digitais e físicos.

Para este público, o papel continua a ter um valor especial. “O físico é muito importante. Imprimir, expor, ver numa parede faz toda a diferença”, sublinha Gonçalo, defendendo que esta materialização do trabalho é também uma forma de reconhecimento e valorização pessoal.

Inserido numa estratégia mais ampla de envelhecimento ativo, o projeto articula-se com outras iniciativas da freguesia, como a Academia Sénior e o Espaço 3G – Três Gerações, promovendo o convívio, a aprendizagem contínua e a partilha entre diferentes idades. “Parar é morrer”, afirma Gonçalo, reforçando a importância de manter o corpo, a mente e as relações em movimento.

A fotografia surge, assim, como um poderoso instrumento de memória e identidade. Num tempo dominado pela imagem digital e efémera, regressar à fotografia impressa, partilhada e exposta é também recuperar o prazer de contar histórias e de ocupar um lugar ativo na comunidade. Em Carnide, estas imagens não são apenas registos: são vozes que ganham visibilidade.

“A visão que eles têm do espaço é completamente diferente da minha, e isso é incrível”

O lugar de memória de Gonçalo Ferreira

Se tivesse de escolher um lugar de memória em Carnide, Gonçalo Ferreira não hesita: o Teatro de Carnide. Foi ali que teve o primeiro contacto com o teatro, através das marchas populares, muito antes de imaginar que viria a ser ator e, mais tarde, trabalhar da Junta de Freguesia. Mais do que o palco, são os bastidores — e, em especial, o antigo bar do teatro — que guardam as memórias mais marcantes: o convívio antes dos ensaios, as conversas, os encontros. “Foi ali que aprendi muito enquanto pessoa”, recorda. Para Gonçalo, o Teatro de Carnide não é apenas um edifício, é um espaço de crescimento, partilha e pertença.